Meus gritos ecoavam dentro de mim. Não sabia se tudo estava desmoronando ou indo para o seu devido lugar.
Precisei que meus monstros ardessem à luz do sol para saber que eles são eles mesmos somente à sombra da escuridão. Certas coisas a gente só revela quando não há ninguém para julgar. Mesmo assim, minha janela sempre está aberta. Novos ventos são sempre bem-vindos. Novas mudanças também.
Digamos que precisei me reformular para saber o que eu realmente queria, e, depois que o fiz, descobri que não passo de uma folha dentre tantas de uma árvore. E eu ansiava ao mesmo tempo a passagem da atual estação e sua permanência. Não vou negar que a chuva que me lava renova minha alma, mas o sol que me queima faz evaporar qualquer medo que cheguei a ter.
Eu devia ser planta para ter uma raiz que me prendesse ao chão. Estou sempre voando, mergulhando nos meus próprios pensamentos e me perdendo em minha própria imensidão. E não me encaixei em nenhum desses lugares, céus. Se não tinha demais de mim, tinha demais do nada. Quem sabe o chão não seja o meu lugar? Quem sabe eu tenha algum lugar…
Agora, eu falaria que meu lugar é nos teus braços. Ou então no teu coração, não sei. Qualquer coisa melosa que me fizesse parecer uma solitária desesperada querendo que você me ame. Mas, não, não direi isso. Fiz esse texto no intuito de falar de mim e da minha bagunça, não de você. Mas o que eu posso dizer se foi você quem me bagunçou? Foi você quem criou meus monstros, e eu não consigo domá-los. Foi você quem me colocou num mundo cujo mapa algum possa me ajudar. Eu sou um circo cuja atração principal abandonou o picadeiro no auge da apresentação. Eu sou um total desastre, sei disso. Sou somente mais uma folha na árvore que é você. Quem sabe algum dia eu tenha algum sentido, e esse meu sentido faça os meus textos terem sentido também.